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Precisamos falar sobre Birdman.

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Um ator, uma celebridade ou o sonho morto? Qual dos três é Riggan Thomson?

Precisamos falar sobre Birdman. Primeiro, por que você precisa vê-lo. Se estiver na casa dos 40, então, é mandatório. Se não acordou ainda para a realidade crua da vida, esta prima criativa da ficção, mais ainda.

E não porque a estética é interessante, não porque transformar o palco em bastidor e este em cena principal seja um achado, ou planos-sequência sejam deliciosos de se ver. Tá, até por isso, mas não só por isso.

O filme-sensação de Alejandro Iñárritu abre a ferida de suas várias perguntas. Existe por sobre o seu ombro, uma voz que guia você para a estagnação em um tempo não mais vigente? Que faz você acreditar que pode vencer a gravidade, mesmo que seja grave a sua situação cotidiana?

Qual o preço que seus sonhos cobram? Em que moeda você o paga? Aliás, você quita este débito com a sua posteridade ou fica no vermelho eternamente, reinventando uma dívida que, pessoas com foco no “sempre presente” sabem não existir?

O que fez você de suas relações pessoais? Elas são os atores de sua peça? O palco de sua vida? A coxia de sua subsistência? Qual foi o seu grande momento? Por que ele não continuou? Como ele assombra os seus dias desde então?

E, mais importante do que tudo: vale à pena trocar a delícia da pergunta pelo sem-sabor das respostas prontas? Os “Não se engasgue”, “não pare de respirar”, “decore os textos que a sociedade escreveu para você”, “pague a hipoteca”, “crie seus filhos”, “seja o melhor”, “sempre”, valem à pena?

Portas fechadas dirão que sim. Janelas abertas, que não.

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Sinopse: Um ator de filmes “blockbuster” aposentado, Riggan Thomson (Michael Keaton) resolve, pela primeira vez, subir no palco da Broadway para uma peça séria. É sua última chance de romper uma carreira estagnada. Ele resolve assumir o risco par amostrar ao mundo sua criatividade e talento como um ator real.

Sobre histórias e outras histórias (Painel de Conteúdo WEB no WordCamp RJ 2014)

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20 de setembro. Hora do almoço: “mas sobre o que vamos falar, gente?” Era a dúvida que pairava no ar, enquanto pedíamos nossos churrascos a um garçom que simplesmente não conseguia nos entender. Entre uma coca-cola e outra partilhávamos experiências mútuas sobre o que nos trouxera até ali. Como blogueiros no início dos anos 2000, como empreendedores na década seguinte, como lutadores em um país que voltou a ostentar…crise.

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Ontem, sentado assistindo Interestellar, pensando.

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Que filme extraordinário. Que cenas espaciais magníficas. Que robôs bacanas. Que dilemas tão humanos e transcendentes e, assustadoramente realistas.

Veja, a certa hora, o avô da menina Murphy, relembra: “eu vivia em uma época maravilhosa, onde a cada ano, novos gadgets eram lançados. E TODO MUNDO queria ter tudo. Mas, como 6 bilhões de pessoas poderiam querer tudo?”

Ninguém na plateia, sala lotada, esboçou um sorriso de entendimento. Ninguém percebeu que ele éramos nós os retratados como ultrapassados, enfastiados de novidades inócuas enquanto o que realmente interessa está indo para o ralo neste momento.

A seca aqui e acolá, a farra do consumo acabando NO MUNDO, a inovação estacionada em telas nas quais tocamos e tocamos e que não fazem nada tão diferente do que faziam há 5 anos. Um passo lento, ainda que inexorável, para a extinção.

O grande trunfo do filme, o que Nolan nos propõe, é uma reflexão profunda, como aquela energia de fundo, ouvida hoje pelos cientistas no confins do Universo e até por isso ignorada: o que fazer, quando não tivermos mais nada a fazer?

Em minha leitura apressada e baseada em meu conhecimento de almanaque (ou até por já conhecer o que se trataria por ali, cientificamente falando), toda a atenção esteve voltada para os dilemas dessa resposta que nunca chegou.

Aliás, chegou, chega e chegará, porque ela é a libertação final de nossa principal limitação. A marcha unidirecional do Tempo.

Recomendo. No IMAX, se possível.

Toda a elegância matemática dos filmes da PIXAR

Um dos meus passatempos favoritos é imaginar o que estariam fazendo grandes artistas e pensadores do passado remoto (ou nem tanto) nos dias de hoje. Seguindo um raciocínio simples, Beethoven, por exemplo, seria facilmente um guitarrista de banda de heavy metal, Freud teria uma banda Indie, depressivo que só, Madame Curie, um trailer no deserto de onde sintetizaria substâncias ilegais e…

…Leonardo DaVinci estaria na Pixar. Não como um ilustrador ou diretor de criativo mas, traduzindo na pureza da Matemática, a única linguagem universal, a ciência por trás dos movimentos e da ilusão divertida e acolhedora que são as histórias criadas por este estúdio.

No vídeo a seguir você pode conferir na prática como a Matemática é aplicada no dia a dia das renderizações, através da elegância das expressões que Tony DeRose, pesquisador do estúdio, desenvolve bem a nossa frente. O que eu mais gosto é como a coisa toda faz sentido tanto na interface de um software de alto nível, quando em um rascunho de papel de embrulho. Genial.

porta, perfeito e volta

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Abro os olhos com algum esforço, como se cortinas-pálpebras de um palco abandonado ousassem insinuar um último espetáculo, e no lento acerto de foco começo a entender que à minha frente existe uma superfície avermelhada com desenhos estranhamente harmônicos e rosáceos.

Pisco. Pisco. Pisco.

E agora sinto o cheio de madeira, mas não das ordinárias peças de reflorestamento. É algo tão antigo quando à própria natureza, que já foi seiva, folha e resistência altiva às mais fortes tempestades. De posse deste novo sentido procuro explorar outros aromas que me ajudem a apagar a desorientação.

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A ditadura dos formatos em um mundo de reforço positivo

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Hoje comecei o dia preparando alguns highlights para ajudar a guiar minhas provocações em um evento que rola no próximo sábado (20 de setembro). A plateia estará lotada com desenvolvedores de uma das plataformas de publicação de conteúdo mais disseminadas do mundo, o WordPress.

Farei parte de um painel dedicado ao conteúdo e não às traquitanas técnicas que tanto mesmerizam clientes e profissionais que em seus projetos dedicam horas a criar a melhor experiência para o usuário e equipar esta relação com os plugins da moda que deixam seu sites e blogs mais rápidos, compartilháveis e modernosos.

Para que, afinal de contas? Para servir a uma ditadura de formatos, de click-baitslisticles que a cada dia empobrecem mais a relação do leitor com boas histórias.“Você não acredita o que este grupo de pinguins fará com o golfinho desta foto” ou“20 maneiras de criar uma rotina de trabalho produtiva” são algumas das “manhas” técnicas que os produtores de conteúdo encontraram para driblar o guloso algorítimo das redes sociais em sua missão de mostrar só o melhor conteúdo.

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Primeira temporada de The Leftovers – Acorde!

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HBO encerra novo drama do criador de Lost deixando uma dúvida: você é um dos 2%?

Respire fundo e esqueça a pressa inicial em saber “por que todos sumiram”. The Leftovers, que teve o final de sua primeira temporada transmitido ontem, nunca foi sobre isso. E nem tão pouco sobre a tentativa de Kevin Garvey em recuperar sua família. Quando 2% da população mundial simplesmente desapareceu, Damon Lindelof quis mesmo é cavar um buraco profundo nas raízes da esperança de sua audiência. E, não se engane, em seu quântico jeito de contar histórias, quando olhado de perto, esse espaço só faz aumentar.

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