Mr. Robot dialoga, logo existe.

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Série chega ao final de sua temporada propondo uma interessante reflexão sobre a construção de personalidade, sociedade e identidade.

Para falar de Mr. Robot, a série sensação do verão americano – e que por aqui chegou apenas nas ondas dos .torrents – , parto de um pensamento que de simplório tem aqui somente a sua formatação.

Lá vai: não é curioso notar como a MÍDIA abandonou seu papel tradicional de condutora de conceitos e conteúdos para assumir uma posição de protagonismo? E de que esta escolha, que oscila entre pensada e natural, a levou a pautar a própria criação de novas mensagens?

Esse papo não é exatamente novo eu sei, mas, em paralelo à necessidade de criarmos novas estratégicas de mediações, temos também a necessidade de propor uma nova análise do papel de um ator social muito importante: nós mesmos. E de nosso palco por excelência no mundo interconectado de hoje: a Cultura Pop.

Pois era nisso que estava pensando quando me propus resenhar a primeira temporada da série, que terminou no início desse mês. Se você não tem a mínima ideia do que estou falando, eu ajudo.

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Dois segundos sobre a polêmica do Machismo Nerd na podosfera brasileira

A pauta do AntiCast sobre o Machismo Nerd estava quicando há tempos.

Mas, vale lembrar que os “Pais Fundadores” da Podosfera, contudo, focaram em um tipo de público que trabalha em uma determinada vibração e estimulá-la, garante dividendos.

Parte desse público, nesses 10 anos, envelheceu, foi buscar outras referências. Como, no meu caso, com a descoberta do próprio projeto de Ivan Alexander Mizanzuk. Que já me indicou excelentes livros depois disso.

Outra parte, nova, chegou. Com a cama pronta.

O revisionismo pode ser um baque para os negócios hoje já estabelecidos. Mas, por outro lado, é saudável para a podosfera em si, que de um ano para cá, respira novos ares, com influências e narrativas mais complexas e bem trabalhadas.

O reducionismo, vale lembrar, esteve presente na polêmica atual. Uma vez que, embora pareça ser verdade, o universo das oportunidades (e seus problemas) vai muito além da sexta-feira pela manhã.

Como filho, marido e pai de mulheres mais do que especiais, contudo, aplaudo a iniciativa.

Quem tiver ouvidos, que ouça: http://goo.gl/ry4DPX

ReLeituras2014#2 – Neon Azul de Eric Novello

Autor cria mundo paralelo em obra que busca capturar a solidão criativa

Devia a mim mesmo a chance de estrear para valer no mundo literário do Eric Novello. Se não, vejamos: temos uma grande amiga em comum e até programa já gravamos juntos. Dois motivos que por si só já bastariam, não fosse eu já ter comprado boa parte de suas obras à época da preparação para este pequeno trabalho sobre a chegada na Amazon no Brasil, e até mesmo já ter experimentado sua noveleta steampunk, “O Dia da Besta”. Excelente por sinal.

Até o dia em que aceitei a tarefa.

E fui levado por uma escada insalubre ao bar que nunca dorme e vive em ritmo diverso (ou seria complementar?) ao do centro carioca no qual, por obra de algum vórtice mágico, se assenta. Seus frequentadores, dos quais vou me abster de relatar nomes, descrições e tramas (seria um artifício barato para o que quero falar aqui), carregam todos uma sina: a dor do labor criativo quando vendido.

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FalaFreela#104 – Viva de Propósito

Quando li o excelente artigo “A armadilha do faça o que você ama”, lá no blog da Contente.vc, minha intenção inicial era apenas a de compartilhá-lo com vocês através de nossos canais sociais. Mas aí, depois de refletir por algum tempo, notei que sua função seria maior do que um link ou post na Fan Page, a discussão precisaria continuar em outros termos. E que “termos” melhores do que mais um episódio da meia hora mais valiosa do seu dia?

Mas, apenas repetir os termos muito bem detalhados por Bárbara Castro no artigo seria um desperdício do, como acabei de reafirmar acima, valioso tempo dos ouvintes.

Então, no melhor clima “aumentando um ponto ao conto”, convidei o pessoal da rede de desafios Mude.nu, na figura do André Valongueiro para participar da bancada. Se o trabalho não precisa ser sua fonte primordial de felicidade, o que seria? André nos trouxe uma valiosa caixa de ferramentas, na forma da abordagem proativa que seu serviço busca oferecer.

E como em toda boa discussão, terminamos com mais perguntas do que respostas: quem disse que a felicidade está no trinômio carreira-ganhos financeiros-consumo? Quantos pódiums existem afinal na sociedade? Será que tem lugar para todo mundo no topo? E quando isso (de não chegar ao topo) acontece, o que você faz? Em que você se torna? Ou, melhor ainda: isso essencialmente vai mudar aquilo que você sempre foi?

Um programa especial por seu tema e mais ainda por seus desdobramentos futuros o “Viva de Propósito” tem a função nada secreta de dar uma sacudida em sua cabeça. E estimular a contínua busca por novas e mais completas formas de se viver nesse redondo mundão, um pálido ponto azul que alguns chamam de casa e outros de palco.

Agora é dar o play, fazer o download ou aproveitar o aquivo no formato .ZIP.

ReLeitura2014#1: The Circle

Curti muito fazer o último FalaFreela de 2013 no formato “releitura”, ou seja, em um saudável confronto das listas de leituras minhas, de Cristiano Santos e Carolina Vigna, co-editores no projeto Carreirasolo.org. Tanto que resolvi estender a mania ao longo do ano, criando uma pequena análise, ou simples relatório, a cada obra concluída.

E, como acabei de encerrar o retiro anual na praia no qual, depois de uns dois dias de descompressão, você parece atingir um tal nível de relaxamento que tudo soa mais simples, claro e positivo, já me adiantei em ligar o notebook antes de desfazer as malas e arrumar, nestas mal acomodadas frases, minhas impressões sobre o primeiro livro do ano.

Ah, antes um adendo: embora tenha defendido no mesmo podcast citado acima a soberania do eBook e seus leitores de tinta eletrônica, abro espaço para me contradizer sem qualquer vergonha: férias na praia demandam livros de papel.

Não sei porque, mas acredito que seja alguma lembrança de infância, em ter encontrado livros em casas que visitávamos, esperando anos e anos para serem lidos. era como se existisse uma biblioteca secreta, compartilhada entre veranistas, sabe? Isso, ou então a portabilidade ou a necessidade de se ver livre dos vícios urbanos nestas semanas de vento fresco e tempo lento. Fim do adendo.

The Circle, Dave Eggers

Após a leitura de “The Circle”, posso apenas afirmar que sigo em busca da obra literária que ainda definirá a nossa época, o futuro do presente da segunda década do século XXI.

Isso porque as desventuras de Mae Holland no espaço de tempo de poucos meses entre sua saída de uma chata e burocrática empresa estatal americana e a chegada, ascensão e clímax nos domínios da maior empresa digital do mundo, não me convenceram.

O antes (resenha em grandes sites do momento) e o durante (o desenrolar da trama em si) até agradaram, mas o resultado final, meio amargo e inconclusivo, me deixou com a nítida sensação de estar lendo, no final das contas, mais uma etapa da tão temida “completation”, que na narrativa simbolizaria o domínio completo do mundo pelo monopólio dos “Three Wise Men”. Seria o livro apenas um prenúncio de sua própria profecia?

Mas, não se deixe levar, pretenso leitor, por este início meio detrator. O livro de Eggers tem lá seus acertos e encantos.

Sua primeira parte (Livro I) é marcada pela morte da autenticidade e rebeldia de Mae, que mesmo sendo contratada por sua amiga de faculdade para integrar a maior empresa do mundo, mantinha uma rotina off-line interessante, com passeios na natureza e um tom “blasé” frente ao frenético mundo dos “circlers”, que exigem retribuição social e digital para cada pedido de amizade ou convite para evento.

Mae, no começo do livro, é como o ser humano comum (naquilo que se consideraria comum em um mundo que se PERMITE optar não integrar as redes sociais, por exemplo). Só que isso incomoda muita gente, certo?

Como um Dante dos tempos modernos, contudo, Mae desce pouco a pouco aos círculos de um inferno particular, marcado curiosamente pela inclusão de mais e mais monitores em sua mesa. Primeiro dois, depois três. E, à medida que vai adquirindo novas funções, quatro, cinco, seis…nove!

Nove. Isso me chamou atenção. Teria Eggers feito uma transposição superficial, ainda que curiosa, de uma das obras mais famosas e monumentais do mundo? De repente, não. Apenas exagero de minha parte, certo?

E por falar em exagero, é no Livro II que o caldo entorna pois, no afã de manter este mesmo clima de rebeldia, Mae é pega pelas câmeras oniscientes da empresa cometendo um ato ilícito, ainda que inocente. Sua punição vem de forma curiosa e a pune com sucesso.

Na verdade, o grande ponto do livro é esse: a maior punição de Mae foi, justamente, ter feito um sucesso absurdo e elevado a um expoente estratosférico o mesmo comportamento que ela, no início do livro, criticava. Não disse que “The Circle” guarda boas surpresas?

Essa é uma delas e gostaria de chamar atenção e reforçar o ponto. Quando comecei a escrever este artigo, pensei em centralizá-lo naquilo que mais me incomodou: a falta de uma trama clássica. Daquelas com “cliff-hangers” e “turning points” que deixam você de queixo caído. Mas, ao me deparar com este conceito, notei que ele é ainda mais importante.

O sucesso é a grande punição dos rebeldes em um mundo de exposição extrema!

Esta morte figurada de Mae é um ponto interessante e com ele gostaria de encerrar esta rápida análise do livro. Neste início de 2014, que promete ser o ano no qual as liberdades e privacidades de modo geral e irrestrito estarão no topo de diversas discussões ao redor do mundo, “The Circle” acerta em flertar com os temas da moda, mostrando como a Distopia final pode ser, afinal, o futuro que estamos construindo.

Drones (que aparecem no livro em uma das cenas mais estranhas de toda a obra), NSA, roubo de identidade, regimes de governo, crime e punição nos são apresentados, enfim, como produtos gratuitos de uma imensa e voraz empresa que busca se completar, para, em vão, tentar completar a humanidade que diz representar.

Os personagens são rasos, a trama, com disse, não se sustenta e a voracidade por construir frases seminais (“Secrets are lies”; “Sharing is caring”; “Privacy is theft”.) transformou o livro em uma espécie de relátório de visitas à Startups Californianas (Small Empires?) quando ele poderia trazer a luz para questões mais aprofundadas.

Sim, indico a leitura. Com um pouco de esforço “The Circle” pode se acomodar na mesma prateleira que você guardar “1984” e “Admirável Mundo Novo”. Desde que você entenda que, com boa vontade, os irmãos pequenos podem compartilhar o mesmo quarto do que os maiores.

Não deixe este post morrer. Eu neste momento devo estar lendo outro livro mas, se você quiser deixar sua sugestão de leitura nos comentários, eu prometo avaliar e, quem sabe, ler também!

FalaFreela#97 – Você é refém dos seus clientes?

Em mais um programa da série #falafreelaresponde, trouxemos três questões bem interessantes para quem está em busca da independência profissional.

A primeira delas vai trazer uma luz sobre os portais agregadores de vagas e oportunidades. Seria verdade que prospectar novos trabalhos por ali seria praticamente impossível para quem está começando?

Na sequência, vamos debater a questão levantada por uma leitora e ouvinte muito recente (algumas semanas!) que está em dúvidas sobre até que ponto um freelancer pode recusar um trabalho pouco atrativo sem sofrer represálias lá na frente.

E para concluir, vamos debater como se estrutura um projeto de conteúdo e como montar e gerenciar uma equipe de colaboradores externos. Nosso leitor queria saber, na verdade, a forma de contratação mais indicada para este tipo de equipe, mas o papo rendeu para questões estratégicas e de metodologia também!

Facebook e seu novo plano para dominar a web, digo, o mundo

Mark Zuckerberg publicou ontem em seu perfil no Facebook o post que lançou a iniciativa Internet.org.

O objetivo do grupo formado por sua empresa e mais Samsung, Qualcoomm, Ericsson, Opera e Nokia é ousado:  levar conexão aos 5 bilhões de pessoas que hoje estão de fora do jogo.

Isso representa 2/3 da população mundial e um avanço tremendo no ritmo atual de crescimento no números de pessoas que podem entrar na web, que é de apenas 9% ao ano.

A visão do esforço, considerado por Zuck como o maior de sua geração, envolve três pilares principais: acessibilidade, eficiência na transmissão de dados e novos modelos de negócio.
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Seja feliz com o FalaFreela#94

Ter uma ideia que vai mudar sua vida profissional. Implementá-la e, sem seguida, sair em busca de novos clientes. Com eles “dentro de casa”, manter um bom relacionamento e perder o mínimo de prazos e projetos possíveis. Gerenciar as finanças, relacionar-se com parceiros. Isso tudo sem perder o charme e o contato com os entes queridos.

Impossível? Não. Tranquilo? Também não. A vida do profissional independente e do empreendedor guarda algumas armadilhas, cuja presa preferida é a sua tranquilidade. Daí, já viu: stress total.

E como estamos sempre ao lado da qualidade de vida, reunimos nosso time central para debater algumas dicas e truques para você manter a paz sempre em alta em sua vida pessoal e profissional. São orientações simples, quase óbvias. Mas que vão fazer a diferença entre uma vida feliz, e um turbilhão de emoções avassaladoras, porém destrutivas.

Para ouvir é só clicar no play. Você pode também fazer o download do mp3 ou do arquivo .zip.

Sociedade: as ondas do lago, quando bate a pedra em sua superfície.

Fiquei ontem até meia-noite pensando sobre esta questão do não-movimento em SP e Rio. Sou assim, mais impactado pelas questões do meu tempo do que pela conta de luz atrasada, ou a nota baixa do filho na escola.

O que mais me impressiona é como os movimentos sociais mudam. De grande ideologias a micro-ações desordenadas. Vejam, não questiono a legitimidade de qualquer reunião que tem acontecido, já ficou claro que protestos pacíficos foram recebidos com truculência. Até Gandhi tomou suas bordoadas. A questão não é essa. Continue reading

FalaFreela#88 apresenta o Profissional de SEO

Após terminar a edição deste programa, a sensação que ficou é a de que o profissional de SEO é um analista de robôs. Ele passa a vida tentando entender como muda (e em que frequência muda) o comportamento do algorítimo do Google, a principal e quase onipresente ferramenta de busca do século XXI.

A cada novo lançamento (Panda, Penguim etc) ele precisa correr para as fontes de conteúdo, analisar o que mudou e adaptar seus projetos, muitos deles já no ar, para que continuem relevantes naquele infinitesimal espaço de tempo entre a digitação no campo de buscas e os resultados da primeira página.

Contudo, o dia a dia do profissional de SEO não é assim tão incerto. Muita ética é preciso estar presente para evitar técnicas ilegais ou pouco recomendáveis, chamadas de “blackhat”. Boas práticas existem e, em uma visão bem geral, se resumem a pensar em conteúdo feito para pessoas, mas que agradem também aos robôs. Parafraseando nosso convidado no episódio de hoje, “de que adianta ir atrás do Google e ele está atrás de pessoas?”.

Decifra-me ou te reprogramo

Decifra-me ou te reprogramo

Em uma edição com quase 1 hora de duração, o FalaFreela de hoje busca desenhar um rápido plano de carreira para o  futuro SEO. Não foi uma tarefa fácil.

Em resumo, entendemos que, antes de iniciar em sua carreira, a jornada será igualmente difícil: sua atividade ainda não é regulamentada e cursos existem somente os livres, sem grandes pretensões acadêmicas. Ainda que a atividade tenha sofrido grande impulso de 2003 para cá, podemos dizer que estamos ainda (ou constantemente) na formação de sua base de atuação geral. Que atividades são essas? Como conseguir os primeiros clientes? Existe espaço para o freelancer de SEO?

Esperamos responder a essas e outras perguntas. E quem sabe, deixar você com outras logo após o PLAY ou o DOWNLOAD