Arquivo X: a verdade está lá fora. Mas coloca ela pra dentro que vai chover.

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Quem esteve ligado ontem (25/01), pode acompanhar a volta do Arquivo X, série icônica dos anos 90, responsável por grandes audiências no passado. Fãs antigos e novos aguardaram ansiosos pelo retorno dos agentes Fox Mulder e Dana Scully que, em tempos idos, cruzavam os EUA resolvendo questões nada convencionais, envolvendo a crença e o ceticismo e, claro, Aliens.

Após dois episódios seguidos, minha humilde opinião, é que a coisa fico beeeem morna, quase “fuém”. Quando você acorda no dia seguinte e reflete um pouco, começa a entender o porquê. E eu explico pra você agora.

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Esqueça tudo o que você já viu e admita: The Leftovers S2E8 é o melhor episódio em muitos anos!

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Esqueçam o Casamento Vermelho de Guerra dos Tronos, a morte de Sofia saindo do celeiro na primeira temporada do The Walking Dead. Vá lá, esqueçam o último episódio da quarta temporada de Breaking Bad e sua arrancada para o final dos cinco últimos da temporada final. Com um pouco de boa vontade, relevem até mesmo o primeiro episódio da segunda temporada de Lost que até ontem considerava o melhor de todos os tempos.

Porque o oitavo capítulo da segunda temporada de The Leftovers (International Assassin) é o melhor episódio de série de 2015 e, também, um dos melhores da história recente (descontando aí o Twin Peaks…). E ponto. Pare agora tudo o que está assistindo e encare uma maratona de 17 episódios para chegar até o ponto que foi ao ao no Brasil no último domingo.

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O dia em que um lepidóptero me contou uma fábula sobre lagartixas

Minha intenção era aproveitar o jato quente no pescoço dolorido depois de um dia que fora tão difícil quanto a tarefa de explicar para uma criança de seis anos que a vida, bem, não é essa coca-cola toda. Você tenta não destruir os sonhos infantis, certo de que sua função é adubá-los. E, cuidadosamente, mostra que, no fundo, é só adubo o que sobra.

A água cumpria seu papel quando, me dei conta que não estava sozinho no banheiro, carente de reformas que lhe devolvessem o prazer de estar a li e a tampa do vaso sanitário. Era uma Mariposa que tentava, cabeçada após cabeçada de sua cabeça de inseto, passar pelo basculhante. Era hiperativa. Era cinza. Mas tinha tanta determinação, acreditava tanto em seu único propósito de vida que desperdiçava sua energia em vão esquecendo-se (ou nunca sabendo, feliz e ignorante) de que, 1) pela lei natural da conservação das massas, será sempre impossível passar pelo vidro; 2) se conseguisse eu a mataria.

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Mr. Robot dialoga, logo existe.

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Série chega ao final de sua temporada propondo uma interessante reflexão sobre a construção de personalidade, sociedade e identidade.

Para falar de Mr. Robot, a série sensação do verão americano – e que por aqui chegou apenas nas ondas dos .torrents – , parto de um pensamento que de simplório tem aqui somente a sua formatação.

Lá vai: não é curioso notar como a MÍDIA abandonou seu papel tradicional de condutora de conceitos e conteúdos para assumir uma posição de protagonismo? E de que esta escolha, que oscila entre pensada e natural, a levou a pautar a própria criação de novas mensagens?

Esse papo não é exatamente novo eu sei, mas, em paralelo à necessidade de criarmos novas estratégicas de mediações, temos também a necessidade de propor uma nova análise do papel de um ator social muito importante: nós mesmos. E de nosso palco por excelência no mundo interconectado de hoje: a Cultura Pop.

Pois era nisso que estava pensando quando me propus resenhar a primeira temporada da série, que terminou no início desse mês. Se você não tem a mínima ideia do que estou falando, eu ajudo.

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Dois segundos sobre a polêmica do Machismo Nerd na podosfera brasileira

A pauta do AntiCast sobre o Machismo Nerd estava quicando há tempos.

Mas, vale lembrar que os “Pais Fundadores” da Podosfera, contudo, focaram em um tipo de público que trabalha em uma determinada vibração e estimulá-la, garante dividendos.

Parte desse público, nesses 10 anos, envelheceu, foi buscar outras referências. Como, no meu caso, com a descoberta do próprio projeto de Ivan Alexander Mizanzuk. Que já me indicou excelentes livros depois disso.

Outra parte, nova, chegou. Com a cama pronta.

O revisionismo pode ser um baque para os negócios hoje já estabelecidos. Mas, por outro lado, é saudável para a podosfera em si, que de um ano para cá, respira novos ares, com influências e narrativas mais complexas e bem trabalhadas.

O reducionismo, vale lembrar, esteve presente na polêmica atual. Uma vez que, embora pareça ser verdade, o universo das oportunidades (e seus problemas) vai muito além da sexta-feira pela manhã.

Como filho, marido e pai de mulheres mais do que especiais, contudo, aplaudo a iniciativa.

Quem tiver ouvidos, que ouça: http://goo.gl/ry4DPX

Gente teórica

Sexta-feira, shopping lotado. Paro para tomar um expresso e ao lado, senta uma dupla de amigos em seus trinta e poucos.

“Olha, aqui já está me mandando mensagem”. Mostra o celular para o amigo e prossegue, fazendo a voz da remetente: “Amor, acho que vou ligar para o meu médico porque meu corpo está estranhando essa nova medicação” No que o amigo pergunta: “Mas você já tentou mudar a medicação dela sem que ela saiba?” “Não dá, cara, os comprimidos são muito diferentes. Mas, me diz aí, e vocês? Já estão fazendo a tabelinha para saber o dia certo?“Não, não…”. Ele soa entre desanimado e desavisado.

“Eu tenho um aplicativo ótimo aqui, olha. Ele até manda uma notificação no dia fértil” Riem, brincam sobre gritar “É hoje!!!!”, quando receberem a notificação salvadora.

E param para pensar.

“É, mas tem que sincronizar com a sua agenda, né?” “É”.

E tomam seus cafés, compenetrados tais e quais adolescentes-tardios.

Eu e Luciana temos um nome para este tipo de casal: é o casal limpinho.

O casal limpinho entra e sai de uma festa sem nem amarrotar a roupa, leva seis meses para escolher um cachorro, e mais dois anos para montar um enxoval do filho que ainda terão. Se tiverem.

O casal limpinho casa, mas não quebra a cama, briga e não trepa para fazer as pazes. Aliás, não briga. O casal limpinho nunca tomou banho junto, ou levantou o edredon para soltar uma bufa (prova de amor, tá?).

Tenho pena dessa gente teórica.

Publicado originalmente em meu perfil no Medium.

Jornalistas e Mídias Digitais: comece aqui

e-Book que editora do B9 dá as primeiras orientações no mundo do conteúdo ultra-conectado

Andar de bicicleta. O ato tão cotidiano esconde, na verdade, um complexo equilíbrio entre insegurança e confiança. Isso porque qualquer pessoa com bom senso e o mínimo de coordenação motora, consegue entender como uma bicicleta funciona e como poderá interagir com ela.

Mas, todo o segredo dessas primeiras lições está em não deixar o aluno saber se você está ou não com a mão no banquinho, ajudando no equilíbrio. Um bom professor faz a pessoa acreditar em si mesma e, assim, deixá-la dar as primeiras pedaladas enquanto você jura que ainda a está sustentando.

Ao terminar o primeiro e-Book de Jacqueline Lafloufa (Midias Sociais para Jornalistas: Um guia para fazer e divulgar jornalismo nas Novas Mídias – Editora Atlas, 2015), que está diariamente nos posts do B9 atualizando você sobre tendências e demais novidades do mundo da criatividade e inovação, tive a exata noção que ela ensinou, de forma brilhante, aos jornalistas de sua geração a andar corretamente nessa bicicleta superveloz que são as mídias sociais. Eu sempre prefiro falar redes sociais, mas isso já é outro assunto.

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Precisamos falar sobre Birdman.

Birdman

Um ator, uma celebridade ou o sonho morto? Qual dos três é Riggan Thomson?

Precisamos falar sobre Birdman. Primeiro, por que você precisa vê-lo. Se estiver na casa dos 40, então, é mandatório. Se não acordou ainda para a realidade crua da vida, esta prima criativa da ficção, mais ainda.

E não porque a estética é interessante, não porque transformar o palco em bastidor e este em cena principal seja um achado, ou planos-sequência sejam deliciosos de se ver. Tá, até por isso, mas não só por isso.

O filme-sensação de Alejandro Iñárritu abre a ferida de suas várias perguntas. Existe por sobre o seu ombro, uma voz que guia você para a estagnação em um tempo não mais vigente? Que faz você acreditar que pode vencer a gravidade, mesmo que seja grave a sua situação cotidiana?

Qual o preço que seus sonhos cobram? Em que moeda você o paga? Aliás, você quita este débito com a sua posteridade ou fica no vermelho eternamente, reinventando uma dívida que, pessoas com foco no “sempre presente” sabem não existir?

O que fez você de suas relações pessoais? Elas são os atores de sua peça? O palco de sua vida? A coxia de sua subsistência? Qual foi o seu grande momento? Por que ele não continuou? Como ele assombra os seus dias desde então?

E, mais importante do que tudo: vale à pena trocar a delícia da pergunta pelo sem-sabor das respostas prontas? Os “Não se engasgue”, “não pare de respirar”, “decore os textos que a sociedade escreveu para você”, “pague a hipoteca”, “crie seus filhos”, “seja o melhor”, “sempre”, valem à pena?

Portas fechadas dirão que sim. Janelas abertas, que não.

 

Sinopse: Um ator de filmes “blockbuster” aposentado, Riggan Thomson (Michael Keaton) resolve, pela primeira vez, subir no palco da Broadway para uma peça séria. É sua última chance de romper uma carreira estagnada. Ele resolve assumir o risco par amostrar ao mundo sua criatividade e talento como um ator real.

Ontem, sentado assistindo Interestellar, pensando.

Que filme extraordinário. Que cenas espaciais magníficas. Que robôs bacanas. Que dilemas tão humanos e transcendentes e, assustadoramente realistas.

Veja, a certa hora, o avô da menina Murphy, relembra: “eu vivia em uma época maravilhosa, onde a cada ano, novos gadgets eram lançados. E TODO MUNDO queria ter tudo. Mas, como 6 bilhões de pessoas poderiam querer tudo?”

Ninguém na plateia, sala lotada, esboçou um sorriso de entendimento. Ninguém percebeu que ele éramos nós os retratados como ultrapassados, enfastiados de novidades inócuas enquanto o que realmente interessa está indo para o ralo neste momento.

A seca aqui e acolá, a farra do consumo acabando NO MUNDO, a inovação estacionada em telas nas quais tocamos e tocamos e que não fazem nada tão diferente do que faziam há 5 anos. Um passo lento, ainda que inexorável, para a extinção.

O grande trunfo do filme, o que Nolan nos propõe, é uma reflexão profunda, como aquela energia de fundo, ouvida hoje pelos cientistas no confins do Universo e até por isso ignorada: o que fazer, quando não tivermos mais nada a fazer?

Em minha leitura apressada e baseada em meu conhecimento de almanaque (ou até por já conhecer o que se trataria por ali, cientificamente falando), toda a atenção esteve voltada para os dilemas dessa resposta que nunca chegou.

Aliás, chegou, chega e chegará, porque ela é a libertação final de nossa principal limitação. A marcha unidirecional do Tempo.

Recomendo. No IMAX, se possível.