Em cima do fato ou em cima do tato?
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photo credit: anniepoes| Beyonça subiu o morro, e você?
Vez por outra vem a ideia para produzir aquele artigo bacana, mas o tempo que você leva para refletir sobre ele, leva o fato embora. Você sente o texto velho ao falar, por exemplo, sobre como o clipe da Beyoncée no morro Dona Marta fez lembrar a caravana de Walt Disney pelo Brasil que resultou no clássico “Você já foi à Bahia?”
(para registro, não acho que seja a mesma coisa. Se antes a turma de Disney vinha aqui num clima Levi Strauss, essa aqui é também assimilada, globalizada e por isso tanto dissemina como é inoculada de conceitos e manifestações culturais)
Isso porque, dois dias depois, está todo mundo falando de outra coisa, seja ele um novo lançamento no mundo da cultura digital, ou a iminência da festa pagã maior, o Carnaval.
E olha que curioso: esta inquietação em si é antiga também. Uma vez que o “flood” de informação já contaminou a todos com aquela ansiedade da inbox cheia. Este artigo sumirá da home em alguns minutos, basta eu twittar e…já foi! Construí o www.mauroamaral.com na intenção de registrar esse momento bem particular do consumo e produção de contéudo, o tempo real. Mas real, para quem cara-pálida? Quantas realidades podemos suportar. Ou, antes: quem disse que existe só uma?
Nós eliminamos (apagamos, damos um “Mark all read”) em vez de analisar. É a nossa cultura. O conto falso da abundância de conteúdo é na verdade uma crônica de costumes da negação da reflexão sobre o que se consome.
Ah, quer saber? Fui pro cinema.
