iA


Narrativas

, em: Ler. Tags:

Birmingham IMAX Tour - Film Ready to Go
Creative Commons License photo credit: William Hook

Vez por outra, aqueles que vivem de produzir narrativas são invadidos pela sensação que recontam ao infinito a mesma história. Isso deve ter começado já com os rabiscadores de cavernas, rupestres, que viam o mundo sob a ótima de longilíneos caçadores e mamutes enfurecidos. Tudo deveria ser caça. E a Razão, a Verdade eram só uma abstração em forma de…mamute.

E na era do gelo? Contar histórias deveria ser uma maneira repetitiva de acompanhar o degelo das idéias, icebergs inversos que escodem 10% de sua superfície, normalmente, a única potável. Podemos acelerar o tempo e ver as primeiras cidades, a escrita, os egípcios, romanos, homens da renascença. Penso que talvez esses últimos repitam até hoje, já em sua posteridade, os códices de Leonardo Da Vinci, com sua arte. E sua guerra.

Qual queria o moto-contínuo dos tempos de hoje?

O que deixaria a nós, contadores de histórias, enfadados? Penso que talvez seja a não-indústria do entretenimento. Tudo é diversão. O circo transformou o pão em alegoria da fome alegre. Ou algo assim.

Vejo, em dias como esses, transmedias, e redes sociais, e aplicativos, e games, e trilogias, e franquias cinematográficas contando a mesma história. Eu sentado aqui conto a mesma história.

E, engraçado, é essa busca pelo DNA da repetição, sua própria repetição. Posso ser eu o rupestre, o homem do gelo, o vitruviano ou o capitão da indústria do século XX.

Quando entendo e assimilo a similaridade das narrativas, sou eu mesmo, seu assunto.