Opinião: Para onde vai esta tal propaganda?
, em: Ler.

photo credit: x-ray delta one
Através do site da minha produtora, o bacharelando Bruno De Figueredo (brasileiro de Criciúma, radicado há oito anos na Itália), entrou em contato com um convite para uma rápida entrevista a ser desdobrada na conclusão de sua tese de final de curso, na cadeira de Relações Públicas na Università degli Studi di Udine.
O tema aborado por Bruno é bem interessante: o Desenvolvimento da Publicidade no Brasil, considerando também o seu grande crescimento nos BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China).
O resultado segue abaixo:
1) A publicidade brasileira é admirada em todo o mundo. Nos últimos anos, na realidade, o Brasil ficou sempre entre os mais premiados no Festival Internacional de Publicidade de Cannes. Qual é a razão deste grande sucesso?
Somos um país multicultural onde várias raças deram origem a um povo que é, por sua natureza, criativo. Temos excelentes músicos, arquitetos, médicos, pesquisadores e, claro, publicitários também. No caso específico da propaganda e da comunicação como um todo, pesa também sermos reconhecidamente um dos povos mais comunicativos do planeta!
2) Referindo-se aos estilos usados pelos publicitários brasileiros, existem alguns modelos padrões predominantes? Quais são os temas recorrentes nos quais se concentram mais para atrair o público brasileiro?
Eu atuei no mercado de propaganda até o final da década de 90, quando migrei para a internet, que era uma indústria nascente, então. De lá para cá, vimos alguns modelos surgirem, batizados de acordo com a “palavra da moda”, do Marketing de Relacionamento ao boom atual das mídias sociais, muita coisa nova surgiu. As que ficaram, contudo, são sempre focadas em conteúdo de qualidade. Aliás, se pudesse arriscar um palpite sobre modelos, diria que o tradicional, aquele de interrupção (comerciais etc) deu lugar a algo mais focado em experiências com a marca.
3) Com o advento da televisão nos anos 50, houve uma verdadeira revolução na publicidade. Hoje, as novas mídias digitais (Internet, TV digital e telefone celular) estão transformando os velhos modelos de publicidade: podemos falar de uma nova revolução criativa? O que acontecerá com os meios de comunicação tradicionais?
Nada mata nada. Esta é uma discussão antiga, da época dos textos de Walter Benjamim. Hoje, dada a avalanche de mudanças tecnológicas e sociais dos últimos 10 anos, podemos afirmar que os modelos sempre podem coexistir. De forma complementar, é claro. Mas a TV ainda é a TV, só que às vezes ela é consumida através da internet. O celular, está na mão de greande parte da população mundial, contudo, sempre para nos ajudar a interagir, consumir conteúdos e jogar. Acho que o que muda é o conceito de tradicional. Este acaba. Não existe tradicional, existe o motor constante da inovação.
4) O Brasil também é um dos países com mais acessos em redes sociais no mundo[1]. Quanto podem ser úteis essas redes para criar novas relações entre clientes e produtores ou fortalecê-las? As empresas brasileiras estão se movendo para um uso consciente desse instrumento, ou tem ainda um longo caminho pela frente?
Acredito firmemente que as redes sociais potencializam as relações existentes entre dois ou mais pontos. Podem até criar, mas não sustentam relações que não existiram em um mundo físico, compreende? Potencializar não é forçar a barra, resumindo. Quando a utilização nas empresas, o ponto é ainda outro. Nos últimos dois anos, vivemos uma espécie de mini-bolha de especialistas em mídias sociais. Uma turma muito competente que, contudo, focou apenas em espocar aqui e ali, reações em cadeia sobre…sobre… é esse o problema, sobre quase nada na maioria das vezes. Caímos em um “meme” metalinguístico do formato pelo formato que em muito atrasou o desenvolvimento sério desta prática no país. Aos poucos, vejo dirigentes de empresas mais antenadas acordando para o fato e pensando estratégias mais a longo prazo e globailizantes, ou seja, encarando as mídias sociais como um bom meio de divulgação de conteúdos relevantes.
5) O Brasil, junto com os outros países do BRIC (Rússia, Índia e China), destina-se a ser, de acordo com algumas estatísticas[2], uma das maiores potências econômicas do mundo nos próximos anos. Como este forte crescimento influirá a publicidade brasileira? Qual será o cenário da propaganda brasileira com os futuros concorrentes internacionais, e quais serão os desafios, especialmente para os novos profissionais?
Novos profissionais precisarão (já precisam, na verdade) pensar mais e mais no negócio do cliente e menos no negócio de sua agência. Os formatos criativos, os métodos de trabalho e os meios de divulgação das mensagens estão ultra-pulverizados. Neste sentido, todos têm um lado planejador. Se nos anos 90 e 00 vivíamos ainda sob o efeito de um furor criativo, hoje clientes e agências sabem que é preciso planejar, medir e re-criar quase que em tempo real.
Esta mudança de postura, se bem acertada e conduzida, levará nosso mercado para o futuro.
Seja ele qual for!
