Ser UM
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A pergunta surgiu depois de um bate-papo com o amigo Alex Castro, sobre quantos sites afinal eu matinha vivos. Cinco, respondi. Mas é porque sempre que eu começo alguma coisa, ela vira um tipo de trabalho, ou o trabalho mesmo.
Ocorreu-me citar outro grande amigo, hoje morando em Brasília, que ali pelo final dos anos 90, entre um ensaio e outro de nossa banda de garagem, afirmava não ser de grande inteligência ter como hobby aquilo que fizéssemos muito bem. É grande a chance daquilo virar um tipo de trabalho, ou o trabalho mesmo. Dito e refeito.
Surgem questões, não vou negar. Será que, terminado o baile, eu como o músico, ou maestro, ou vendedor de cigarros, teria algo tão interessante para mostrar? Esse é um momento de intensa revelação, e não é tão deprê quanto parece.
Deixar cair o véu da pretensa singularidade é entender, é ver tão de perto como todos somos iguais. Ficar e deixar a realidade fluir assim à sua frente é entender que, no momento em que nada parece ter sentido, é o espaço e a vez de tudo ter sua razão. Ser UM.
Ser UM com você mesmo é desafiador. Inconclusivo para a maioria. E, olha, nem me atrevo a desafiar a inteligência do possível leitor fazendo-o acreditar que por aqui a coisa chegou nesse nível.
Como exercício, releia esse texto, veja como sou Saramaguiano e só sei falar em ordem inversa. Isso fica escondido, por meio de briefings, de propostas e negócios fechados. Até que alguém descubra. E, anote aí, isso é importante: sem que precise pagar por isso.
Não existe almoço grátis. Apenas o jejum da posteridade.
