Documentário na íntegra:The Land where the Blues began

O folclorista Alan Lomax já havia percorrido o delta do Mississipi nos anos 30 e 40 junto a seu pai em uma missão para a Livraria do Congresso americano: registrar a música original, seminal, religiosa e espiritualista que deu origem a um dos mais tradicionais ritmos americanos, o Blues.

Na época ele tinha apenas 18 anos e os equipamentos, claro, eram bem rudimentares. Ciente de que os representantes e as histórias envolvendo este estilo musical rapidamente desapareceriam, na década de 70 ele volta ao mesmo ambiente para registrar, pela última vez, suas descobertas.

O vídeo acima é o resultado dessa pesquisa, um documentário de quase uma hora para aqueles que não tem medo de sentar em uma esquina à meia-noite, you know what i mean…

 

Aos 23 anos, Eric Clapton conta o segredo do seu som.

O ano é 1968 e o jovem guitarrista do Cream, Eric Clapton, concede uma rápida entrevista à BBC durante a turnê americana “Farewell”. Aqui ele apresenta os detalhes de como configurar seus amplificadores, a utilização do pedal Wah-wah (que toma um belo pisão do músico para poder funcionar), e a técnica que permite, em determinadas ocasiões, tirar um som “feminino” de sua guitarra.

Gravado nos bastidores dos shows (que você encontra de graça aqui) é um documento interessante sobre como, hoje, os vinte e poucos anos são mais modestos em termos de ambição criativa.

 

Um susto me trouxe até aqui

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Aos seis anos ouvi: “Você quer estudar música?” A pergunta me surpreendeu não pelo inusitado de um novo curso, mal começara eu a ler, mas pelo semblante leve e feliz, raro no meu Pai.

Iluminado por tanta felicidade, respondi sem nem ao menos saber do que se tratava aquilo tudo e só depois vim a descobrir que não seria ele a dar aulas (meu Pai foi professor de música por aproximadamente 25 anos), que não seria ali em casa, sempre tão cheia de instrumentos e músicos em final de noite ou datas festivas, e que não seria logo que eu tocaria todas as três músicas que conhecia de cabeça.

Mas reparem bem no meu ponto: não foi uma decisão racional, ou emocional que seja, o meu “sim”. Foi um susto em função de um semblante diferente.

Sim

Eu disse sim. Mas poderia ter dito não. E as aulas não começariam. Em não começando, não pularia três anos nos primeiros meses, e não entenderia que a disciplina e algum talento, nos levam longe, para junto de pessoas muito maiores que, de perto, soam do mesmo tamanho. E eu não estudaria seis, oito horas por dia e não passaria para a Escola Nacional de Música. E, com isso, não aprenderia a andar sozinho pela cidade com 15 anos. E não teria grupos de música barroca.

E, muito provavelmente, não apelaria para a diferenciação como forma de sobrevivência. Entenda: eu não teria frequentado os ambientes que frequentei e estaria no lero-lero de sempre daquele subúrbio distante nos anos 80 do século XX.

E, não aceitando, não precisaria ter largado o clássico e ido para o popular, fundando várias bandas de garagem. E não estando mais livre do mundo clássico, não teria seguido para outra formação universitária rumo às agências de propaganda no final dos anos 90, ainda no século XX.

A música também aproximou um amigo de faculdade que depois vim a saber era filho de dono de agência, que me chamou para trabalhar e, que, tempos depois contratou para assistente de mídia a mulher com quem ia me casar, herdar um filho e ter mais dois.

Acompanhe: se eu tivesse insistido em não aceitar, ou não tivesse me assustando com o semblante feliz do meu Pai, eu não teria largado o fazer publicitário, dado o desenrolar dos acontecimentos, e caído de cabeça na internet, em 2000.

E, sem ela, grande hub, de tudo o que havia estudado até aquele momento, não existiriam os primeiros sites, os primeiros textos para eles, os primeiros wireframes, e blogs, e clientes e minha recente empreitada profissional. E nem esta reflexão que você lê em meu site pessoal.

Comecei a refletir sobre isso ao assistir o episódio 19 da segunda temporada de Fringe, que recomendo. Mas, penso, dadas as teorias da física quântica existiram-existem-existirão outras infinitas possibildades. Um não-susto que me deixou lá, numa outra vida e em outro universo. Em milhares deles, diga-se de passagem, pois depois dessa decisão outras se seguiram.Mas delas eu não conheço. E nem elas sabem sobre mim.

Um susto me trouxe até aqui. Até onde ele vai me levar eu não sei.

 

Brinquedos novos e antigos

brinquedos-novos-e-antigos

Curioso lembrar isso mas, em 1985, fazia exatamente o que faço hoje: contava histórias no formato texto e áudio. Antes que você levante uma bandeira anti-saudosista devo lembrar que o mundo não era uma vírgula diferente do que é hoje. Se amava ou se odiava na mesma medida. Tá, era uma realidade mais analógica: cinco canais de TV, músicas vindas direto por bolachões de vinil e muito tempo livre. Continue reading