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Tenha privacidade na internet

Culpamos a ingenuidade por tudo aquilo que acontece fora da ordem e esquecendo que somos nós que, salvo invasões alienígenas zeta-reticuleanas, devemos deixar tudo sempre em ordem.

Os tempos de hoje são cínicos, o que por si só é uma frase cínica. Culpamos a ingenuidade das pessoas, de algumas empresas e da sociedade em geral por tudo aquilo que acontece fora da ordem. Esquecendo que somos nós que, salvo invasões alienígenas zeta-reticuleanas, devemos deixar tudo sempre em ordem.

No entanto, a ingenuidade, o desprendimento de jeitinhos nacionais, muitas vezes nos reserva gratas surpresas. Conto aqui, a título de comprovação meu lento caminho da crítica da ingenuidade a uma sincera admiração por um serviço bem-feito.

O cartaz.

Como diria uma hashtag do twitter: #eurimuitoalto. Assim que vi este cartaz colado atrás do balcão que me levaria à “Sala de Internet” em uma conhecida loja de bairro, sendo este bairro aquele em que fui criado e residi até os 20 e tantos, Campo Grande, subúrbio do Rio de Janeiro.

Como assim “Tenha privacidade…”? A internet é a terra da sem privacidade onde tudo é permitido. Só mesmo essa turma ingênua “daqui de cima” para… “Sua identidade por favor?”. Como assim, eles cumprem a lei de registrar todos que entram em uma Lan House? Olha só, achei que ninguém levasse isso a sério. “Com ou sem auxílio, senhor?”, “Como assim auxílio?”, “Nós disponibilizamos um profissional para ajudar o senhor a navegar e imprimir seu currículo, seu imposto de renda, acessar seu email etc”.

Daí eu estaquei.

Tem alguma coisa errada aqui, balbuciei. Por definição recorrer à ajuda de terceiros (ainda por cima estranhos) para acessar a internet é, no mínimo, desaconselhável. Mas aí recorri a meus tempos de adolescente que por ali andava e tentei “descomprimir”, relaxar, e entender quem me cercava.

Senhorinhas, pensionistas e até mesmo donos de sítios distantes que vem checar seus benefícios rurais. E onde estava: numa das lojas mais antigas do bairro, enorme, repleta de serviços úteis e sempre impecavelmente limpa. Eles confiam na loja. Eles confiam nos empregados. Só não confiam nessa tal de internet.

Minha surpresa continuou ainda ao sentar à máquina, com tudo instaladinho e facilitado para quem vai utilizar. Sem jogos, bem iluminada. Uma verdadeira central de serviços online pensada e adaptada á região que serve. Sem modismos, só utilidade.

Bateu claro um pequeno orgulho do bairro distante, uma sensação de voltar pra casa. Etc e tal. Imprimi o que precisava, saí, paguei e ia perguntar… “Será que você não tem um…”

“Senhor, leve seus documentos num saquinho impermeável pois está chovendo muito, tome aqui, está incluído no preço”.

Que, esqueci de comentar, é baratíssimo.