Vou dar uma postada…
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Como exatamente, não sei ao certo, mas pode ter começado ao caminhar pelas calçadas de Ipanema, entre uma reunião e outra, de livraria em livraria, ou na famosa banca da praça Nossa Senhora da Paz que é um Sebo chique. Na verdade pouco importa. O foco aqui é lembrar que, um dia, sem mais nem menos, notei que o carioquês zonasuleano feminino, por vezes, me causava certo estranhamento.
Primeiro, pois não sou exatamente uma cria dessas paragens, sendo mais “de interior”, sabe? Nem de subúrbio, mas da roça. Então, acabei por praticar um falar mais cadenciado e preso à regras, numa de impressionar. Depois, por ter passado, em decorrência da primeira razão, boa parte dos “vinte e poucos anos”, dentro de um ônibus, indo e voltando de aulas na faculdade, indo e voltando de estágio, emprego e clientes.
Sendo assim, acredito, impedi um aculturamento que me permitisse, pelo menos assimilar o modo de falar das gerentes de marketing, vendedoras de shopping, atendimentos de agência, redatoras. Nada contra nenhuma.
É uma plêiade de moças que, hoje, vejo dominar os textos de sitcoms e programas femininos em canais como Multishow e GNT e que pratica um particípio de gênero, se me permitem a invenção. Aliás, dão uma praticada.
E é esta muleta que utilizam, ou dão uma utilizada, que me causa o dito estranhamento. Me parece, ou me dá uma parecida que vestem a própria frase. Para mim, é como se entrassem em uma imensa Visconde de Pirajá e fossem experimento, ou dando uma experimentada, em cada frase atirada ao ar.
E mais: fazem esta pequena sessão de compras em grupo. Sim, porque ao melhor estilo mandada, o falar vai dando uma crescida, ao ponto de não ser mais inteligível a quem não carregar um tradutor.
Ou isso ou preciso dar uma repaginada, sabe?

