Penso#10 – O plantador de mato do mundo digital

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Este ano, tão completo, me trouxe pelo menos uma certeza: o tempo passa por que precisa, durante o processo, nos capacitar em algumas habilidades. 

A principal delas: entender que as pessoas se repetem. Não a pessoa em si. Mas uma determinada forma, ou espelho dela, um arquétipo, se preferir.

Penso que seria útil para o projeto mauroamaral.com começar a trazer a biografia desses prováveis arquétipos. E, o primeiro deles, já tem nome e uma história. O plantador de mato do mundo digital está por aí há muito tempo embora restem poucos deles. No Penso#10, você vai entender por quê.

Por que quando recebeu os primeiros convites para estrear o Gmail, o plantador de mato não nutriu, abasteceu e fez crescer sua habilidade mais diferenciada, a capacidade de olhar por cima dos movimentos da vida. E, ao mesmo tempo, não notou, que defender o determinismo tecnológico era a chave de uma vida profissional segura e feliz. Ou, pelo menos segura.

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Transcrição episódio

Ando olhando para o chão, mas das poucas vezes em que levanto a cabeça, no imenso corredor transparente, tenho uma das poucas certezas desse ano: o tempo passa por que precisa, durante o processo, nos capacitar em algumas habilidades. 

A principal delas: entender que as pessoas se repetem. Não a pessoa em si. Mas uma determinada forma. A que Jung e outros pensadores chamam de Arquétipos.

Reparo que corajosamente ainda sigo com a cabeça levantada e mais uma vez começo a contá-los. É um prazer secreto, de muito tempo. 

Identifico como os arquétipos se repetem, em expressões, opiniões e reações ao mundo que os cerca. 

É também, além de prazer secreto, um constante estado de alerta. É que, sem cuidado, eu posso confundi-los. 

Começo a contá-los com redobrada atenção, portanto. Porque tenho medo de trocar os nomes. Chamar Augusto de Otávio. Porque os dois são iguais, embora não se conheçam e tenham “vivido” na minha memória com anos de diferença. Ou Joana de Angélica, porque elas tiveram o mesmo comportamento frente a uma determinada situação.

Com um dedo imaginário apontando para cada um a minha frente, então, começo:

O ogro tosco que tenta passar algum refinamento. [check]
A ressentida que faz a simpática [check]
O antipático que é só e tão somente reativo e inseguro [check]
O profissional em ascensão e sem um puto no bolso, mas que tenta mostrar que já chegou lá. [check]
Alguém que já chegou lá e nunca vai perceber porque deixa que os outros o apaguem das fotos oficiais [check]
A gênio desatento que passa apenas por desatento [check]
O desatento que não deixa qualquer marca na história, porque…bem, é desatento, ora essa [check]
O cliente que sabe fazer acontecer [check]
O cliente que nunca vai acontecer [check]
O cliente que sabe que nunca vai acontecer e, por isso, tenta acontecer demais. [check]

Todos os clientes do mundo são o mesmo cliente do mundo

A lista a cada dia que passa fica mais infinita, com o perdão da hipérbole. 

Tanto, que penso que poderia ser interessante para o projeto mauroamaral.com registrar essas estranhas biografias que prateleira que a todos podem servir em algum momento. 

É como se montasse uma imensa loja virtual onde você seleciona a sua biografia ou identidade e se encaixa nela. Já vem completa, com acessórios de fábrica e começa a funcionar assim que você a veste. E com uma promoção incrível: você pode ter várias em sua casa e ir trocando de acordo com o look do dia. 

Look do dia: falastrão. E começa a falar. Look dia: o introspectivo que tem conteúdo. E coloca a mão no queixo e semicerra o olhar. Look do dia: descoladinho da vez. E solta umas gírias fora do contexto. E por aí vai.

E já que você veio aqui, falemos do primeiro biografado. Ele está por aí há muito tempo, mas dele poucos sobraram em atividade. E você, agora, vai entender por que. 

O projeto mauroamaral.com apresenta a série Biografias Inventadas e Provisórias de Arquétipos que andam por aí. Capítulo de hoje: o plantador de mato do mundo digital.

Mas antes, sete recados:

1. Apresente o projeto mauroamaral.com para 7 amigos que nunca ouviram falar de podcast ou desse podcast em especial.

2. O programa está disponível nos principais agregadores de podcast. Mas, no iTunes, seria importante que você desse 5 estrelinhas e fizesse uma review. Assim, o programa chega em mais gente.

3. Temos um grupo de distribuição de conteúdo no qual publico bastidores do programa durante a semana. É só acessar em: mauroamaral.com/direto

4. Comente em programas antigos para que eu saiba como os temas estão impactando o seu dia. 

5. Envie um e-mail a partir desse formulário com dicas para próximos programas.

6. Nessa fase de transição, ainda estarei utilizando algumas redes sociais para divulgar o projeto. A principal é o Instagram. Siga em @mauroamaral.

7.Eu ainda divulgo muito pouco, mas você pode colaborar com o projeto a partir do PICPAY. As condições de assinatura e o que você ganha com isso, estão dsponíveis no próprio aplicativo, basta você procurar por mauroamaralpodcast

AH sim, vamos lá. O Plantador de Matos do Mundo Digital.

Quando você começou a baixar os primeiros discadores gratuitos do UOL e do IG, o Plantador de Mato já tinha conta de BBS e, com algum esforço criativo de sua parte, era até mesmo um SYSOP.

Daí, quando as primeiras capas de revista começaram a estampar: “Vem aí o mundo virtual. Faça visitas ao Museu do Louvre sem sair de casa”, o Plantador de Mato comentava em sua lista de discussão ou que “agora sim, a internet vai escalar e vamos poder fazer a revolução”, ou, “é, pessoal a internet acabou…”.

E o mesmo se repetiu quando os primeiros jornais chegaram online, e que a Amazon vendeu o primeiro livro, ou então quando o GIF ancestral de todos od GIFs piscou pela primeira vez em um site do Geocities. 

IRC, ICQ, eMule…o plantador de mato viu tudo isso sentado em diversos tipos de empresas. Na frente de monitores de tubo amarelos, de monitores pequenos e quadrados e telas gigantes da espessura de um dedo médio.

Que, aliás, ele levanta mentalmente às vezes quando percebe que sempre sabe o que vem como próxima onda e, quando isso acontece, já está de olho na próxima coisa. E em outra. E, às vezes em duas. 

Por isso, enquanto liberava a sua conta no twitter a partir de códigos de SMS, o plantador de mato do mundo digital, trabalhou em produtoras online, em agências on e off, em redações de jornal, tentando explicar o que eram os blogs e em blogs, mostrando que a conversa com os meios de comunicação “tradicionais” poderia ocorrer. Ele montou mapas de site, aprendeu tableless e css, java e… flash (mas não comenta muito sobre isso).

Mas, daí, a provável audiência pode estar se perguntando, Por que ele é chamado plantador de mato? Simples, pessoal. Pensem que para alguém ter chegado e poder dizer “que chegou quando tudo era mato”, alguém teve que preparar o terreno e espalhar as primeiras sementes. Mas, paradoxalmente, não comer o pão desse trigo. Ou o pasto desse mato.

Por que quando recebeu os primeiros convites para estrear o Gmail, o plantador de mato não nutriu, abasteceu e fez crescer sua habilidade mais diferenciada, a capacidade de olhar por cima dos movimentos da vida.

E, ao mesmo tempo, não notou, que defender o determinismo tecnológico era a chave de uma vida profissional segura e feliz. Ou, pelo menos segura. 

Um parêntesis: determinismo tecnológico é uma espécie de desvio conceitual que atribui a evolução linear da tecnologia como causa e não como uma das consequência das mudanças sociais, econômicas e políticas. Tentam explicar recentemente, por exemplo, que o aumento da atenção que se dá aos podcasts tem a ver com algumas evoluções recentes na forma como celulares acessam internet mais rapidamente, ou que tem aplicativos pré-instalados.

Quando na verdade, tanto isso quanto a ascenção dos podcasts fazem parte de um estado de coisas ainda mais complexo que pode envolver desde o cansaço das timelines até a redescoberta de um determinado tipo de discurso. Mas, sem adiantar próximos programas, voltemos… 

E, então, ao não se render por pura convicção e mania de deixar aquele dedo do médio levantado mais do que deveria, em alguns casos, a vida do plantador de mato do mundo digital sofreu alguns apertos. 

Por que quando se começou a falar em startups, o Plantador de Mato viu que era claro que em um mercado sem logística ou infraestrutura básica, os modelos importados do Vale do Silício seriam pouco mais do que falácias por aqui. 

E que, bom mesmo, era investir em Startups que ajudassem a tentar mudar o quadro de desigualdade social no país. E todos riram, porque o quente mesmo era investir em falácias. 

Ou ainda quando a moda dos hackatons e mesas e cadeiras e EADs se posicionaram como uma forma disruptiva e blá blá blá de reinventar a maneira  como interagimos profissionalmente, ficou claro que era só uma maneira inteligente de explorar horas de trabalho baratas. E todos falaram: “Senta lá Cláudia”. 

Quando se trocou autoridade por influência, então, o plantador de mato do mundo digital já era tão sênior, e tão sênior de si mesmo, que não foi ouvido. Era muito barulho. E, sobre barulho, ele sempre teve pouca influência.

E foi nesse momento que, sentado em mais uma das empresas em que tudo se parecem, o Plantador de Mato Digital olhou em volta para ver se ainda havia terreno a ser semeado nessa nada curta longa vida. 

De forma pós-estruturalista, portanto, sentado e contando arquétipos, fez a pergunta definitiva: haverá brechas para a minha resistência? 

Não pense que essa será uma biografia comum. Até por isso, foi a primeira. Pois a vida do PLantador de Mato do Mundo Digital, no momento, segue suspensa nessa pergunta. 

A última vez em que ele foi visto, até onde se sabe, estava olhando para o nada, como naquela última cena do filme AI, de Spielberg, quando o menino robô cai na água e por milhares de anos fica fazendo a mesma pergunta para a fada submersa: “Você poderia por favor em me transformar em um profissional de verdade?”. 

Mauroamaral.com é a conexão direta entre o fluxo de minha consciência e os ouvidos da sua.

Todas as segundas feiras tem episódio novo no ar. 

O podcast está disponível em todos os principais agregadores, sempre procurando por mauroamaral.com. 

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Ainda respondo e-mails em eusou@mauroamaral.com

Roteiro, edição e mixagem: Mauro Amaral

Penso#10 gravado em 16 de setembro de 2019

Sobre o autor

Mauro Amaral

Meu principal foco de atuação é a criação de projetos de conteúdo interessantes, divertidos e leves para marcas, organizações e produtos.

Em função desta opção, transito bem entre jornalismo, publicidade e entretenimento, pesquisando continuamente e filtrando ativamente as tendências do momento para aplicá-las no dia a dia dos meus clientes.

Construo, mantenho e estimulo equipes criativas há 10 anos; com especial predileção por identificar novos talentos e trabalhar potenciais multidisciplinares.

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