O LIVRO DE STEVE FOI O ÚLTIMO TRABALHO DE JOBS?

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Começo esta pequena resenha de forma absolutamente fora do comum, apresentando a conclusão logo nas primeiras e curtas linhas.

Steve Jobs foi para a computação pessoal, para o cinema de animação, para a indústria da música e para o mercado editorial, um Walt Disney Stark. Reuniu como em poucas vezes na história recente habilidades equidistantes entre inovação, excelência técnica e apreço capitalista.

E assim construiu uma grande empresa e, depois, a empresa mais valiosa do mundo. Mas, complemento aqui: a empresa mais valiosa do mundo, em um mundo que ele mesmo criou.

O grande ponto é que nem sempre estamos falando dos méritos absolutos ou geniais do inventor/CEO mais famoso do século XX. Por muitas páginas intuí que estávamos falando do encontro de uma ideia fixa com as condições propícias para ela germinar. Quando deu certo, Steve era um gênio; quando não, o autor correu para colocar tudo na conta do Papa ou do campo de distorção da realidade de Jobs.

Para explicar essa estranha conclusão, apresento não uma resenha que acompanha o índice da obra, mas uma derivação sobre as possíveis estórias que as pouco mais de 600 páginas inadvertidamente nos apresentaram. Não tente procurar, elas não estão assim descritas por lá. Assim como não estava escrito que o iTunes seria mais do que uma maneira de organizar suas músicas, ou que o iPod não era um produto “stand alone”, mas o integrante de uma cadeia que viria a culminar no (possível) domínio do fluxo de consumo de conteúdo no século XXI.

Conheça, então, três estórias que Walter Isaacsson quis contar para você, contou, e você nem percebeu. Sem enrolação, apenas três histórias…

PRIMEIRA: O LIVRO DE STEVE E O ÚLTIMO TRABALHO DE JOBS.

Eu não comprei a ideia de que Steve Jobs não quis ver ou controlar a criação da biografia. Simplesmente porque foi uma obra encomendada e, sobretudo, seguia um briefing central: “apresentar aos filhos (e aqui extendo o conceito de filiação a todos aqueles que o seguiram intelectualmente em sua obra) um lado que não lhes foi dado a conhecer.”

Que lado, cara pálida? Cada centrimetro de narrativa central tem suas versões para o cinema, no youtube, em sites de fãs, em obras paralelas. O passado hippie, a peregrinação na Índia, o começo meteórico, tudo já havia sido apresentado em diferentes tons, matizes e com apresentação de vencedores reais ou não.

A essência minimalista que fica, tão a gosto do biografado, é que suavemente, Steve conduziu a apresentação de seu último grande produto, criado para manter uma experiência integral em todos os momentos, do tirar da embalagem à interface.

Isso foi feito, inclusive, de forma a respeitar a mudança de paradigma que a sua vida e presença intelectual ajudaram a traçar: os fatos antigos tem uma riqueza de detalhes que os atuais não têm.

Assim, você fica sabendo do lugar onde dormia o peregrino aos domingos em busca de almoços grátis, mas desconhece todos os detalhes das transações mais recentes ao redor do iPad e iPhone. Percebam que isso traz uma sutileza: o hoje está (sendo) escrito sempre e em constante mutação; já o “ontem”, apenas é uma espécie de tradição horal, quase esquecida e que por isso precisa de resgate.

SEGUNDA: UM LIVRO SOBRE O GÊNIO ESQUECIDO.

Outra leitura possível é que a trajetória do californiano só foi possível quando ao lado existia “mais um”. O fato é sempre citado como prova de sua capacidade de agregar talentos, reunir grandes ideias e colocá-las em uma caixa bem acabada com um superproduto. Mas, sob um aspecto social (ou antropológico, ou psicológico, ou astrológico (sic)) o autor nos apresenta uma constante busca por um par. Por uma sincronização.

A professora primária, o colega marginal na primeira infância, o mestre Yogue, a primeira, segunda e terceira namoradas, a esposa, Markkula, Edwin Land, Sculley, Gates. Todos estão lá, prontos para representar o oposto da moeda. Mesmo que ela, mesmerizada, caia sempre para o mesmo lado.

E, claro, tem Steve Wozniak. Citado quase tanto quando seu dupla dos primeiros anos, o inventor, o engenheiro chefe da U.S.S. Enterprise que decolaria tão velozmente nos anos 70, tem um tributo digno ao longo de passagens tão importantes quando as Blue Boxes, o Apple I e o megasucesso do Apple II.

Mais uma vez a vida pode pregar peças em você quando, entre uma pausa e outra, você descobrir que Steve ainda está nas filas dos grandes lançamentos como ser humano quase comum (ou Vigia em missão eterna a observar a humanidade). Palpite? Ele não quer o iPhone 4s ou o Galaxy Nexus. Ele quer encontrar novamente o HomeBrew Computer Club. Woz: a turma foi para a Nuvem!

TERCEIRA: O LIVRO DA ÚLTIMA DAS BIOGRAFIAS POSSÍVEIS.

Para introduzir outro ponto, percebi que o grande fio condutor de “Steve Jobs” é o famoso “conecte os pontos”, fruto de seu genial discurso em Stanford. Se não, por que mencionar que Jobs e Wozniak faziam listas de músicas de seu compositor preferido, Bob Dylan, mais de 300 páginas antes de falar do iPod? Por que falar de Yoga senão para apresentar o hábito de resolver a vida e os negócios caminhando? Fique atento e perceberá. Exemplos não faltarão da agradável leitura de uma biografia que, arrisco, será uma das últimas possíveis.

Primeiro porque ser humano notável está em falta no mercado. E, segundo, aqueles que teriam potencial para tanto, correm o risco de se dissolverem na nuvem tempo-real na qual depositamos nossa memória todos os dais e, aos poucos, nos impede de realizar novas conexões e descobrir novos pontos.

INTRODUÇÃO

Claro, não poderia deixar de finalizar esta carta de impressões sobre o livro, justamente pelo começo.

Grávida de um estrangeiro, uma moça de família tradicional, resolver dar o bebê para adoção, exigindo, contudo, que seus pais — um casal amoroso mas sem instrução -, cuide da educação universitária do menino, com todo esmero.

Tempos depois, ao perceber que seu futuro pode ser outro, e não “um futuro trouxa”, o jovem resolve reinventar sua próprias magias e combater o mal no mundo, que vive mudando de forma, ora são janelas, ora procuradores que parecem saber de tudo e até robôs verdes gigantes.

A história caminha para redenção final quando, no crepúsculo de sua vida, o herói renegado, reconta suas conquistas e deixa uma missão para as gerações vindouras: contem a minha história ou ela será esquecida.

Boa leitura!

Sobre o autor

Mauro Amaral

Meu principal foco de atuação é a criação de projetos de conteúdo interessantes, divertidos e leves para marcas, organizações e produtos.

Em função desta opção, transito bem entre jornalismo, publicidade e entretenimento, pesquisando continuamente e filtrando ativamente as tendências do momento para aplicá-las no dia a dia dos meus clientes.

Construo, mantenho e estimulo equipes criativas há 10 anos; com especial predileção por identificar novos talentos e trabalhar potenciais multidisciplinares.

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por Mauro Amaral

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Meu principal foco de atuação é a criação de projetos de conteúdo interessantes, divertidos e leves para marcas, organizações e produtos. Em função desta opção, transito bem entre jornalismo, publicidade e entretenimento, pesquisando continuamente e filtrando ativamente as tendências do momento...

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