Penso#9 – A única capa possível para um 2019 impossível

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Enquanto preparava o roteiro do programa dessa semana, uma avalanche de notícias estranhas pingava em minhas timelines. Começou com um post de um amigo próximo, depois, vídeos ecoando aqui e ali.

E, de repente, o cenário se desenhava: o prefeito do Rio realmente e de forma inconstitucional, mandara recolher obras com suposto tom sexual na Bienal do Livro do Rio de Janeiro, pedindo inclusive a cassação do alvará da realização do evento. Taliban, que chama, né?

O acontecimento ganharia tons de folhetim, quando o Youtuber Felipe Neto anunciou que havia comprado todo o acervo envolvendo temática LGBT e distribuindo de graça.

Mas, por que será que isso acontece? Qual o objetivo da pauta de costumes? É o que pretendo responder no Penso#9. Aguardo os comentários após o PLAY.

A proibição é palanque para os 29% que, sabe-se lá porque, ainda apoia o atual estado de coisas. É a Bienal dos Ressentidos. Dos que, desprovidos de um lugar na atual configuração e formação de identidades, clamam por retrocessos.

Para além da experiência auditiva

O essencial do projeto mauroamaral.com

Transcrição do episódio

Releio um antigo caderno, já amarelo por seus 30 anos. Entre pequenos artigos que escrevia para – desde aquela época – uma provável audiência, encontro uma previsão de orçamento. Pois é, fazia pequenos orçamentos desde a adolescência.

Relembro que a missão era ousada: com duas mesadas dar conta de todas as edições lançadas no chamado formatinho pela editora Abril. E conseguíamos, levando assim, o primeiro empreendimento, que também era uma coleção, que também era um lazer. Quadrinhos.

O penso#9 vai falar de um assunto preocupante envolvendo a arte sequencial que há mais de cem anos oscila entre a glória e a perseguição. Quando não, pelo descaso. Mas antes, gostaria de lembrar que…

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Lembro também que busco reconectar produtores e audiências a partir do contato direto, sem a intermediação de algoritmos. Por isso, priorizo outras formas de conexão que não pelas redes sociais.

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Bom, voltando.

HQs, Quadrinhos, Gibis.

Faço um corte mental para a primeira Bienal de Quadrinhos, em 1991. Estou a apenas alguns milímetros de um original de Moebius. Vejo o traço do lápis, a aquarela que esbarra aqui e ali na linha, uma previsão tão intimidadora quanto aurática. E quase choro. De felicidade.

Estou na Casa França Brasil e o início da década de 90 é promissor. Estou deixando o subúrbio da infância, convivendo com outras turmas da cidade. Me sinto, finalmente, em meio à efervecência cultural carioca. Assisto a palestras, a mesas redondas. AO final, vou ainda à Banca do Abreu e ao Alfarrabista, e arremato alguns exemplares. Como uma coxinha com catupiry no Casa Velha. Bons tempos.

Corta para 2019. Olho para as suas capas ainda no plástico na época. Olho para as suas capas, hoje, estão atrás de mim enquanto preparo o roteiro desse episódio. Moraram durante alguns anos em depósitos dada a questão do espaço. 1.500 exemplares de formatinhos, graphic novels, Conans. Muitas capas possíveis, outras nem tanto. Preservadas. Ressigificadas. Hoje, objeto de culto de uma época que gostaria de ter vivido ainda mais intensamente.

E, então, na dúvida sobre que caminho seguir com o programa em uma semana difícil em vários aspectos, começam a pintar nas minhas timelines um susto impensável. Como se 2019 não cansasse nunca. 

O prefeito da cidade, do qual eu vivi a efervescência cultural dos anos 90, hoje é mais como um antiácido, um veneno que polui a água da criatividade, como que fazendo bolhas que nos irritam o nariz. Ele recolhe. Não a sua insignificância. Ele manda recolher uma publicação e outras tantas. Em um movimento anticonstitucional. Provinciano. 

O que se segue é um cenário mais ou menos coreografado. Começa com um vídeo histérico de um assunto que chega ao conhecimento do alcaide em função da reverberação de uma mãe indignada com o HQ comprado por seu filho na bienal

No mesmo dia 6, o desembargador Heleno Ribeiro Pereira Nunes, do Tribunal de Justiça fluminense, concede liminar  para proibir a Prefeitura do Rio de Janeiro de buscar e apreender obras na Bienal do Livro e cassar a licença de funcionamento do evento.

Em paralelo, um Youtuber arremata o acervo, envolve em plásticos pretos, cria uma ação, ou reação, ao movimento.

Na manhã de sábado, a liminar é derrubada.

E Fiscais passeiam pelos corredores procurando por qualquer literatura LGBTQI que possa ofender os delicados preceitos morais dos eleitores do prefeito.

Não sem que os cariocas, lá dentro do Riocentro, mostrem quem, afinal, tem que mandar na cidade.

Ler o artigo quinto da constituição e ter o direito se manifestar não é o problema.

Xingar muito no Twitter, também não.

A questão envolvendo a ronda de fiscais de costume pela Bienal esconde contudo um movimento calculado. E político.

A proibição é palanque para os 29% que, sabe-se lá porque, ainda apoia o atual estado de coisas. É a Bienal dos Ressentidos. Dos que, desprovidos de um lugar na atual configuração e formação de identidades, clamam por retrocessos.

A pauta de costumes é uma pauta do pior costume de todos: da canalhice. Do ganha-ganha eleitoreiro. E apenas isso.

A única capa possível de 2019, portanto, é a da imagem proibida. Não como – apenas – manifesto identitário. Mas como resistência. E como alerta para a única forma de não deixar o seu amigo do lado, sua tia, seu tio, seu colega de trabalho, cair nesse tipo de armação. 

Educação. Mais do que nunca, em 2019, ou você tem. Ou está do lado errado da história que precisamos reescrever.

Vem comigo?

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Ainda respondo e-mails em eusou@mauroamaral.com

Roteiro, edição e mixagem: Mauro Amaral

Você ouviu vozes de Felipe Neto, Iza, o povo da bienal e, claro, Marcelo Crivella.

Penso#9 gravado em ou de setembro de 2019

Sobre o autor

Mauro Amaral

Meu principal foco de atuação é a criação de projetos de conteúdo interessantes, divertidos e leves para marcas, organizações e produtos.

Em função desta opção, transito bem entre jornalismo, publicidade e entretenimento, pesquisando continuamente e filtrando ativamente as tendências do momento para aplicá-las no dia a dia dos meus clientes.

Construo, mantenho e estimulo equipes criativas há 10 anos; com especial predileção por identificar novos talentos e trabalhar potenciais multidisciplinares.

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