Penso#18 – Aquele sobre método e coronavírus

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Na semana em que o Rio de Janeiro, São Paulo e diversas cidades do mundo entraram em quarentena pelo coronavírus, eu estava, todo prosa, sentado em sala de aula para iniciar o Mestrado em Tecnologias de Comunicação e Cultura.

Neste novo capítulo do road-movie-podcast que é a segunda temporada do projeto mauroamaral.com, você vai pode acompanhar o calor (mas não de 40 graus de febre) dos acontecimentos da sexta-feira dia 13 de março.

As notícias correram pelos whattsapps de vários grupos e terminada a aula, a correria me levou até o sofá da sala de onde, atônito, via um governador assustado anunciando a má-nova: todos trancados dentro de casa.

Meu convite para que você ouça, na verdade, tem também um pedido final, que você atenderá como comentário a esse post.

Mas, antes, claro, não se esqueça de curtir as indicações do #LiViOuvi

Em 2020, a provável audiência já sabe: enquanto a trilha de final de programa está rolando, eu trago algumas indicações do que eu Li, Vi ou Ouvi durante a semana. Como o programa não me deixa mentir, ela foi muito corrida, então, vamos rapidamente com um Ouvi e um Vi, blz?

Strong Songs – Um podcast musical que precisa ser ouvido

O Ouvi vai para o podcast Strong Songs, do Kirk Hamilton. Na podosfera é conhecido como o melhor podcast sobre música que você provavelmente nunca ouviu. O que, nos últimos meses, eu já desconfio que não seja tão verdade assim, dado o número de boas reviews que ele tem por lá. 

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Kirk, com sua cara de gente boa toda vida: o dia que estiver meio deprê, dá play nesse podcast

Sobre o que é o programa? Bom, Kirk – que é músico e professor – , analisa detalhadamente a criação de uma determinada canção. Não só a parte técnica – na qual é bem craque – mas todo o contexto histórico e de como aquela faixa se encaixa na biografia de seu criador.

Ele recria textos, explica as progressões de acorde, os timbres, como o músico ou produto conseguiu tirar essa ou aquela tessitura determinado trecho etc. Eu destaco os episódios em que ele analisa a Dancing Queen (Abba), StairWay to Heaven (Led Zepellin) e LoverFool (The Cardigans). 

A dedicação ao programa é tão grande que Kirk chega a reconstruir instrumentos de época para tentar tirar uma sonoridade parecida e mostrar como foi feita determinada bateria ou linha de baixo. Imperdível.

The Enthusiasm Project – Um canal sobre como fazer canais de Youtube

E no “Vi”dessa semana, a dica vai para um canal de Youtube, o The Enthusiasm Project. Coincidentemente também de um professor, o Tom Buck.

A fotografia perfeita e o fato de ser um professor do tema me chamaram atenção

Sua pauta é bem conhecida de quem pesquisa dicas de produção sobre Youtube: ele dá dicas de como dar um up na qualidade dos vídeos, captação de som, dicas de setup de captação e edição esse tipo de coisa. Ele está aqui na lista por dois detalhes.

O primeiro é a fotografia dos vídeos. É de um azul tão lindo que eu simplesmente não consigo parar de ver. Tudo é perfeito: foco, tipo de lente, iluminação indireta, ritmo. Enfim, estado da arte. O segundo é  o fato do TOM ser professor de digital mídia em uma High School americana. Eu achei muito curiosa uma high school ter uma cadeira como essa.

Para terminar, vamos ficar atentos aos links do programa?

Transcrição do programa

Aqui tem roteiro. Toda edição, portanto, você pode acompanhar o quanto de dá trabalho dá.

Sexta-feira 13. Parto para a finalização da primeira semana de aulas. Toda aquele clima de realização pessoal que tenho comentado nos últimos dois programas. 

O caminho, a organização das anotações, até a arquitetura do prédio estatal que começo a frequentar, me lembram de uma coisa só: tudo no Mundo tem um método. 

O que mora nele, sobrevive porque tem seu processo interno; o que construímos dentro dele como moradores gulosos demais para nos contentarmos com o que nos foi dado, tem suas regras.

Aquilo que fazemos certo, nasceu de um método. O que deu errado, só assim se deu porque, em algum momento, o método que pensamos saiu dos eixos. Ou foi esquecido. Ou negligenciado. Ou, até mesmo, não era o método apropriado para aquele momento.

Se você pensar bem, até golpes de sorte contam com seu método, no caso, a probabilidade, que estabelece regras claras para a ocorrência do fato A no lugar do fato B. Ou ainda a emergência pontual de um caso C.

(E aqui cabe lembrar à quem faz uma fezinha toda semana que o fato do número 16 sair no jogo anterior da megasena não tem qualquer peso na ocorrência ou não do mesmo número na semana seguinte. Portanto, não existem números da sorte, tá bom? Existe sim 1 chance em aproximadamente 52 milhões de outras. Todas as semanas. Há mais de 2000 semanas.)

Lembro que comecei a nos posicionar neste texto enquanto humanos e seres gulosos demais para nos contentarmos com o que nos é dado. Por isso, vamos atrás de mais. Um dos principais objetos de desejo, claro, é o conhecimento.

Para a sua obtenção, alguns recorrem a explicar tudo o que nos cerca. É o que chamamos de ciência. 

Para estes, grossíssimo modo, a explicação das coisas passa por duas grandes tomadas de posição. 

Na primeira, parte-se do princípio que um método de observação simples e direta dará conta do recado. E considera que o que se dá como objeto encerra toda a verdade que precisa ser conhecida. 

Então, você, de bloquinho na mão, rabisca ali suas interpretações e, assim, supondo-se isento, registra aquele acontecimento. 

Podemos até em algum momento explicar que é uma ilusão, todo raciocínio é político, é uma tomada de partido, mas deixemos isso para depois.

Outros, acreditam que a explicação das coisas nasce da relação entre quem observa e o objeto observado, em uma via de mão dupla que muda o cenário a cada momento e, esse caminho, ele mesmo, é o aprendizado.

Assim, o homem, em sua habilidade suprema como, até onde se sabe, o único capaz de imaginar um mundo etéreo e para além do sensível, consegue transcender ao que o cerca e conceber aquilo que chamamos de cultura humana. Se você ouviu o Penso#8, pode chamar de véu codificado. Não ouviu? Se liga aí em um trecho:

Uso estes pensamentos como o resumo dessa primeira semana. As primeiras horas do dia – logo depois do sol despondar – eram promissoras.

Sim, horas depois estava placidamente sentado na sala de aula. Aquele momento mágico que tanto esperava, interagindo e justamente conhecendo outras jornadas tão desafiadoras quanto a minha e pensando que a missão tem grande potencial de ser ainda mais desafiadora do que a mais precavida das mentes poderia conceber. Leituras, resenhas, artigos, o projeto, a qualificação, relatórios, o projeto final. E apenas dois anos.

E, então, o whattsapp começa a apitar.

A aula rolava em um ritmo quase sacerdotal, slide após slide e nos grupos desse comunicador instantâneo – responsável por tanto desastres recentes na política nacional – , pulavam mensagens vindas de outros colegas em outras turmas como aquela, espalhados agora por todos os programas de pós-graduação do Rio e SP:

A UFF fechou as portas. Suspendeu todas as atividades.

A UFRJ também. Vai manter bancas por contato remoto

Agora IBIcT. Todas as atividades suspensas.

Pessoas, governador está trancado com secretários para decidir o que fazer com a UERJ e demais equipamentos do governo.

Pois é. O Coronavírus cobrava o seu preço.

A aula termina, corro e olho de rabo de olho para o ex-maior estádio de futebol do mundo. Lembro que assisti ali ao ensaio da abertura das Olimpíadas de cidade. Uma história a mais para contar que fica para outro dia.

Metrô, taxi, escritório. Todos correm, pegar notebook, ir para TI, instalar apps de trabalho remoto. Instruções. Nome da mesa, como uma lápide, despeço-me dos amigos. Nariz escorrendo, dor de cabeça. Taxi, elevador, sofá. Bolsa cheia de equipamentos e anotações e na TV, o governador da cidade, tal qual personagem tardio de um episódio dos Simpsons que nenhum carioca mais aguentar assistir:

Estou sentado na sala, bolsa ainda no ombro, cansado de uma correria que não queria para mim. E lembro que estou tentando desde 2015. Que passei um ano me preparando. Que fui aprovado. 

Lembro ainda das reuniões que fiz para acertar a minha agenda e equilibrar a expectativa de todos os clientes e contratantes ao meu redor.  

E o Rio de Janeiro entrou em quarentena.

15 dias. Pelo menos. Trabalho 100% remoto. Aulas suspensas. Calendário em um pause preocupante. E um pedido de ajuda.

Essa é a primeira vez que vou recorrer a provável audiência: a ideia é ouvir nos comentários do post do programa dicas de como aproveitar o isolamento social indicado pelo governo. Como não deixar a preparação acadêmica arrefecer. Como manter o projeto mauroamaral.com ativo e vivo até que os portões do castelo sejam reabertos.

Vai lá em mauroamaral.com/coronavirus

Chego na novecentésima sexagézima sexta palavra e tento imaginar quais são aquelas que terei a sorte de ler.

O projeto mauroamaral.com começa e termina neste podcast mas não se resume a ele. Acesse o site mauroamaral.com para conhecer o manifesto do proejto, o que estou fazendo em um mestrado, o que já fiz e faço da minha vida profissional e o que vem por aí na segunda temporada do programa.

O podcast vai ao ar todas as segundas-feiras pela manhã e está disponível em todos os tocadores do mercado, sempre procurando por mauroamaral.com. 

E como o programa é contato direto entre o fluxo da minha consciência e os ouvidos da sua, foco em opções de nosso contato direto. Sem aquela filtragem todas as timelines movidas por algoritmos. Que formas são essas? Anota aí:

O site: em mauroamaral.com

A newsletter, que você acessa no menu do site ou através da url mauroamaral.com/news

Nosso grupo de distribuição de conteúdo: em mauroamaral.com/direto

Por e-mail em eusou@mauroamaral.com

E até pelo Instagram em @mauroamaral

Espero vocês por lá e não se esqueçam de comentar no post sobre as dicas.

Penso#18 – gravado em 14 de março de 2020.

Sobre o autor

Mauro Amaral

Meu principal foco de atuação é a criação de projetos de conteúdo interessantes, divertidos e leves para marcas, organizações e produtos.

Em função desta opção, transito bem entre jornalismo, publicidade e entretenimento, pesquisando continuamente e filtrando ativamente as tendências do momento para aplicá-las no dia a dia dos meus clientes.

Construo, mantenho e estimulo equipes criativas há 10 anos; com especial predileção por identificar novos talentos e trabalhar potenciais multidisciplinares.

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